segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O ESQUILANGUE DE ANANIAS



Uma das cidades mais pesquisadas da Paraíba sem dúvidas é Rio Tinto. Já foram muitos os doutores e amadores que tocaram livros ou outros trabalhos sobre o lugar. Muita coisa rolou, falaram de tudo ou quase tudo, mas, até hoje, ninguém - absolutamente ninguém -, tratou do famoso Esquilangue de Ananias.

Era um local badalado e, em termos de sociedade, frequentado por gregos e troianas. E mesmo não sendo um cabaré nos termos institucionais da palavra, foram muitas as mulheres que viveram ranzinzas temendo perder seus maridos por causa daquela casa. E vice-versa. Muitos homens também tremiam nas bases.

Por anos, lancei meu humilde faro jornalístico (e de detetive mesmo) em busca de detalhes sobre o esquilangue (funcionamento, normas, bebidas, comidas, costumes, frequentadores...), mas assumo que os resultados obtidos até agora foram insignificantes, mais precisamente pífios.

Quem tiver informações do dito cujo por favor socorra essa minha investigação, pois se eu não pagar ou ganhar dinheiro, e nem mesmo melhorar meu futuro livro com isso, ao menos saciarei essa curiosidade da bexiga taboca que tenho pelo rumoroso assunto.

Aceito todo tipo de ajuda e se você não souber muita coisa, ao menos me informe o que significa e qual seria a origem da danada dessa palavra Esquilangue (ou isquilangue, sei lá!), pois já fui a todo tipo de professor, etnologista e dicionários (Mestre Aurélio, Câmara Cascudo...) e nem sinal eu tenho encontrado.

Pois bem: já que o diabo desse Feicibuque vai bater no Japão, fico no aguardo de alguma notícia boa. Passar bem e Feliz Ano Novo pra todo mundo.


COMPLEMENTO: Provoquei esse texto no Facebook e, dentre os mais diversos comentários, um deles realmente veio no clima da provocação e do amigo Adil Pimentel. Explicou ele: "Caro amigo Ademilson, em conversa, há anos, com a saudosa e espirituosa Karla Lundgren, esposa de seu Nelson Lundgren, foi dito por ela que "esquilangue" tratava-se da corruptela do termo inglês "sky lounge" (salão do céu) e que bem poderia ser do inferno: só tinha diabinhas!!!". 

Valeu Adil.

NALDINHO E GIL NA TV CÂMARA





sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O CARAGUEJO DO BIU

Não se trata de restaurante nem coisa parecida, mas nos arredores do centro de Rio Tinto o melhor almoço ainda é o do amigo velho Biu Letra. Olha ele aí dando um trato enquanto o feijão verde ganha fogo. Além do sabor especial, é tudo muito prático porque basta lavar bem as mãos e comer fazendo bolo ou capitão. O cardápio não é, mas pode variar, depende do humor do chef. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

MANTENDO A TRADIÇÃO

No começo, Cordões Azul e Encarnado dançam com disputa
FORRÓ  E VITÓRIA DO CORDÃO 
AZUL MARCAM  QUEIMA DA 
LAPINHA EM JARAGUÁ

Não registrou presença da multidão dos forrós de plástico, o público era formado praticamente apenas por pessoas da rua, mas foi um espetáculo fantástico de cultura e tradição popular a "Queima da Lapinha" de Jaraguá, uma das aldeias situadas em Rio Tinto.
Com 15 integrantes (sete do Cordão Azul, sete do Cordão Encarnado e um Lindo Anjo), o pastoril existe há mais de 30 anos na comunidade e, com a queima, encerrou a temporada 2014/2015 que foi aberta em setembro passado. 
O regional tem violão, cavaco, zabumba e pandeiro ritmado

Muita animação, distribuição de cravos e vitória do Cordão Azul marcaram a queima desta temporada. Seguindo a tradição, na noite da queima, as bandeiras e os papéis coloridos que enfeitam o palanque são todos colocados no meio do salão e, já sem disputa, as pastoras dançam ao redor até que o fogo se apague. 
O evento tem duração de mais de duas horas e, nesse período, pastoras e pessoas da organização vendem votos, cada uma para o seu cordão (azul ou encarnado). As músicas são acompanhadas por um regional que conta com violão, cavaquinho, bombos, pandeiro e triângulo.
Ao final da lapinha, as pastoras e convidados participam de um jantar que é seguido de um forró aberto à participação de todos os presentes.
Músicos e pastoras tocam e cantam de forma sincronizada
A próxima temporada, segundo as organizadoras Lúcia e Deusuíte,  começa em setembro e, como todos os anos, vai até as proximidades do Dia de Reis, no começo de janeiro de 2016.

As organizadoras lamentam a falta de mais apoio a esse tipo de manifestação, mas garantem que isso não desanima a comunidade e nem muito menos as pastoras. "É de mãe pra filha", diz Deusuíte. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

HISTÓRIA & TRABALHO


Seu Nilson Lundgren recebe filhos da cidade de Rio Tinto...

...e autografa livro para o jogador de futebol Carlinhos Paraíba 
JÁ COM 40 EMPREGADOS, FÁBRICA 
DE RIO TINTO ESTÁ VOLTANDO 
FUNCIONAR 25 ANOS DEPOIS

A velha fábrica de tecidos Rio Tinto, que já teve períodos com mais de 10 mil empregados e que fechou em 1990, está voltando a funcionar com o nome de Rio Tinto Têxtil SA. Pelo menos 40 empregados já estão trabalhando em serviços de montagem e manutenção de prédios e a previsão é de gerar entre 200 e 300 empregos nos próximos meses.

A notícia já toma conta da cidade e neste final de semana foi confirmada por um dos herdeiros, Nilson Lundgren, durante visita que recebeu de um grupo de filhos da cidade, comitiva que foi comandada por José Gualberto de Sousa (Zezinho do Sindicato) e pelo jogador de futebol, Carlinhos Paraíba.

Seu Nilson é filho de Artur Lundgren que, juntamente com o irmão João Frederico (fundador da fábrica e homenageado com uma estátua na praça principal da cidade) comandou as ações do Grupo Lundgren no Brasil, depois da morte do pai, o sueco Herman Lungren. 

Na conversa com os visitantes, ele disse que a população não espere nada grandioso demais, até porque os tempos são outros, mas que está reativando a indústria à sua maneira e dentro das suas condições. "Isso aqui vai ser igual ou melhor do que Santa Cruz do Capiberibe", previu ele sorrindo e bastante otimista.

E o mesmo clima de otimismo visto em Seu Nilson tem sido percebido também junto aos mais diversos segmentos da população que acompanha o empreendimento não somente como oportunidade de novos empregos, como também como retomada de um dos mais importantes patrimônios da região. 

Seu Nilson explicou que por uma questão de cautela prefere aguardar mais uns dias ou semanas para levar a notícia oficialmente à imprensa, mas confirmou que pelo menos quarenta pessoas já estão trabalhando, o bastante para comprovar que não se trata de promessa, mas de ação concreta de uma reabertura em andamento.

Junto com Seu Nilson nesse trabalho e já residindo na região, o engenheiro têxtil, Iruche, que aparece no lado esquerdo da primeira foto acima. No mesmo clic de Edilson Sabino, Carlinhos Paraíba e Zezinho do Sindicato estão à direita de Seu Nilson.

Ainda durante a visita (segunda foto), Seu Nilson autografou e presenteou Carlinhos Paraíba com um exemplar do livro "Um Sueco Emigra Para o Nordeste", escrito pelo ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Raul de Góes. O livro conta a origem do grupo e a saga da família Lundgren no Brasil e um dos capítulos do livro é dedicado exclusivamente a Rio Tinto. 

Depois da visita as novas instalações da fábrica, Carlinhos Paraíba e amigos também fizeram uma visita ao antigo palacete construído pela fábrica perto do Tiro de Guerra, na Vila Regina.

sábado, 3 de janeiro de 2015

EDUCAÇÃO E FUTEBOL

Papo de Ano Novo: Carlinhos Paraíba e Zequita na Praça de Rio Tinto

NAMORADA DEU O GRANDE
PASSE PARA A CARREIRA
DE CARLINHOS PARAÍBA

Durante um papo descontraído que batemos no final da noite do primeiro dia do ano, na praça central de Rio Tinto, o jogador Carlinhos Paraíba (que joga atualmente no Tokushima Vortis, do Japão), confessou que, como acontece com a grande maioria dos atletas profissionais, seu começo de carreira também foi sofrido e marcado por momentos que prejudicaram completamente os estudos e que chegaram a provocar desistência. 

Ele explicou que, em face das viagens e do ritmo de treinamentos, é muito difícil conciliar esse tipo de carreira profissional com escolaridade. "Queria muito estudar mais, mas só pude chegar à quinta-série", desabafou Carlinhos, ao confessar que outro drama muito grande é conseguir apoios e patrocínios. Aliás, foi por isso que a grande responsável pela reviravolta e pelo seu êxito no futebol terminou sendo a então namorada e hoje esposa,  

"Sou de uma família com sete irmãos e, como sou o mais velho, era o que mais precisava começar a trabalhar logo cedo para ajudar meu pai", afirmou o meia que, entre 2010 e 2012, brilhou nos gramados brasileiros defendendo as camisas do Coritiba e do São Paulo.

O craque contou que o momento crucial de sua carreira foi por volta de 1999 quando já tinha atuado em algumas equipes, mas que os rendimentos não traziam retorno. Foi aí que chegou a desistir para trabalhar como pedreiro. Ocorre que veio a namorar com a filha do patrão e que, através de pedidos dela junto ao pai, é que conseguiu apoio para novas tentativas nos gramados de futebol. 

Foi nesse momento que pôde retornar à Paraíba para fazer um grande campeonato no Guarabira, de onde saiu para o Nacional de Patos, Santa Cruz do Recife e aí para grandes equipes do sul e sudeste do país. 

"O começo foi difícil demais", lembra Carlinhos, ao completar que agora está muito satisfeito no Japão, mas que também só saiu do Brasil para poder ganhar mais algum dinheiro fora do país, depois de perceber que, pela idade (ele está com 31) e pelas previsões técnicas, já não tinha mais oportunidade de chegar à seleção.

Carlinhos Paraíba diz que quer permanecer e completar seu contrato no Japão e que gosta do novo país até mesmo por conta das condições de vida e de educação para o filho. "Lá é muito bom e, por enquanto, basta de vez em quando poder voltar aqui", afirma sorrindo.
Toninho do Bar com Carlinhos: amigo e cliente ilustre


REENCONTRO COM JOGOS FESTIVOS  

Carlinhos Paraíba chegou em Rio Tinto antes do Natal e permanece na cidade até o próximo dia 11. Natural da cidade, diz que, sempre que puder, repetirá essas visitas de virada de ano para jogos festivos e reencontro com familiares e amigos de infância. Enfatiza que, pela experiência que ganhou, também aproveita a oportunidade para orientar a garotada sobre a paixão pelo futebol, sem esquecer a parte da educação.

Nesses períodos de estada na terra natal ele é muito cumprimentado e assediado e nem precisa dizer que fica até difícil encontrá-lo para um bate-papo como o que tivemos desta vez. Acho, inclusive, que isso só foi possível porque já era final de noite e com a praça da cidade já meio esvaziada.

Carlinhos estava com alguns parentes e amigos no Bar de Toninho (que é uma espécie de "QG" dos universitários da cidade) e, por mais de uma hora, conversou comigo, Zequita e Edmilson Dantas, este último, responsável pelas fotos aqui reproduzidas.

Nós cumprimentamos ele assim que chegou no bar, mas o engraçado da história é que nosso papo prolongado só foi possível graças a uma jaca. Isso mesmo! É que Zequita havia ganhado uma jaca que estava no táxi de Edmilson Dantas e, já que precisava transferi-la pro meu carro (eu quem iria deixá-lo em casa), foi a caminho dessa transferência que aconteceu o bate-papo com o jogador.  

E já que a jaca provocou o bate-papo, ainda leva uns dias para amadurecer plenamente e pode muito bem aguentar uma viagem pro Japão, pensamos em presenteá-la a Carlinhos Paraíba. Ocorre que, quando retornamos ao bar, o craque já havia saído da área.

Ganhamos, portanto, um grande papo com o ilustre conterrâneo, mas Carlinhos perdeu um baita presente e a jaca, claro, uma grande viagem pro outro lado do mundo...
A jaca que provocou o bate-papo e que quase ia pro Japão 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

MEIO SÉCULO DE TRADIÇÃO


PROCISSÃO DE NOSSA SENHORA 
DOS NAVEGANTES EM BARRA DO
MAMANGUAPE E COQUEIRINHO

Como acontece todos os anos, foi neste domingo(21) a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes entre Coqueirinho do Norte e Barra de Mamanguape no litoral dos municípios de Marcação e Rio Tinto. Com mais de 50 anos de tradição, o evento reuniu milhares de fiéis da região e também de Estados vizinhos.

A missa de abertura começou às 9 horas na capela de Coqueirinho e, logo depois, em dezenas de embarcações muitas delas também provenientes de outros Estado, a procissão seguiu para Barra do Mamanguape.

Colocado na cobertura da maior embarcação, o andor foi seguido por banda de música e centenas de fiéis que, em outras embarcações, faziam louvor e repetiam o hino tradicional do cortejo religioso. Fogos de artifícios marcaram todo o percusso da procissão da saída em Coqueirinho à chegada em Barra de Mamanguape e retorno ao ponto inicial. 



Além da participação, muitos fiéis aproveitaram o evento para pagamento de promessas e a parte profana da festa, iniciada no sábado anterior, dia 20, também foi dividida entre as duas comunidades.

Na chegada à Barra do Mamanguape, carregando o andor e seguidos pela banda de música, os fiéis desembarcam e, em caminhada, vão até a igreja da comunidade onde também realizam orações. Na sequência, retornam às embarcações e retornam a Coqueirinho para encerramento das atividades que, este ano, terminaram por volta das 16 horas.     

A  Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes é uma dos mais tradicionais do litoral norte da Paraíba e, todos os anos, é prestada uma homenagem a Dona Maria José de Coqueirinho, criadora e por muitos anos organizadora e realizadora da procissão.



Para muita gente, principalmente as que vão de ônibus e veículos, o percurso fluvial começa e termina na Praia de Coqueirinho, mas para para muitas outras pessoas, principalmente pescadores e proprietários de embarcações, esse percurso começa e termina antes e bem depois, a partir de outras comunidades que também têm porto.

Nós, por exemplo, para acompanhar e registrar alguns o momentos da procissão, saímos de Porto Novo na Aldeia de Jaraguá em Rio Tinto, passando às margens das Aldeia de Tramataia e Camurupim.